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Professores americanos explicam o funcionamento das eleições 2020 nos EUA

por Fernanda Kian publicado 27/11/2020 17h32, última modificação 27/11/2020 17h32
Palestrantes lecionam Ciências Políticas em universidades do Estado da Georgia

27/11/2020 17h32

Professores americanos explicam o funcionamento das eleições 2020 nos EUA

Professores e alunos norte-americanos e brasileiros participaram de live em 24 de novembro último promovida pela Educação Metodista e a International Association of Methodist Schools & Colleges  sobre o tema “Como funcionam as eleições americanas e sua democracia”.

Os convidados foram os professores de Ciências Políticas dr. John Tures, da LaGrange College, e dr. Thomas C. Ellington, do Wesleyan College, ambas instituições  Metodistas localizadas no Estado da Georgia. O evento foi mediado pela  professora Andrea Almeida  Perina e por Vanessa Martins, da Assessoria de Relações Internacionais.

O encontro foi aberto com perguntas entre alunos brasileiros e norte-americanos a respeito de curiosidades das eleições de cada país. Entre os assuntos abordados, destacaram-se o impacto do Coronavírus e do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) sobre as eleições, do qual o estudante respondeu: "Mais pessoas foram às urnas, pessoas que fazem parte do movimento, penso que o número de eleitores aumentou em comparação à última eleição".

Em relação às eleições americanas, professor Ellington iniciou:  

“As pessoas pensam que as eleições americanas são complicadas, porque na verdade são mesmo. O sistema é diferente do mundo todo, são eleições indiretas.” Isso significa que os votos formam o Colégio Eleitoral, ou seja, um grupo de delegados que representará os Estados na decisão das eleições.

O número de delegados corresponde ao tamanho da população, assim como ocorre com a proporção de senadores. Entretanto, somam-se mais 2 delegados para cada senador. A Califórnia, por exemplo, tem o maior colegiado eleitoral: são 55 delegados, enquanto há Estados como Wyoming que têm 1 senador  e 3 delegados.  Maine e Nebraska são exceção, pois dividem os votos do Colégio Eleitoral de acordo com a proporção de votos que cada candidato recebe.

Por esta razão, quem recebe mais votos não necessariamente ganha. Um bom exemplo é o de Hillary Clinton que, nas eleições de 2016, recebeu mais de 300 mil votos populares que Donald Trump, mas perdeu no número de Estados e de votos do colegiado em relação ao oponente.  

No total são 538 delegados. Para ganhar a presidência, o candidato precisa obter no mínimo 270 votos. Normalmente estes representantes votam pela vontade do seu Estado, mas pode acontecer de votarem contra também, sendo considerados eleitores “infieis”.

Se acaso nenhum candidato obtiver maioria dos votos, o que é muito raro, a Câmara dos Representantes, a câmara baixa dos legisladores dos EUA (equivalente à nossa Câmara dos Deputados), vota para definir quem governará os Estados Unidos.

Outra diferença é que a votação é realizada por cédulas e pode ser feita pelo correio ou presencial.  O eleitor pode se registrar e receber o formulário via correio. Este ano, em razão da pandemia, a votação por este meio foi massiva, congestionando o sistema.

 Recontagem de votos

Caso haja resultado muito próximo entre os candidatos, entre 0,5% e 1% de diferença, conforme o Estado, é possível solicitar  recontagem dos votos. Porém, o resultado não costuma ser expressivo a ponto de mudar o destino das eleições, pois a primeira contagem habitualmente é eficiente.

Com todos estes trâmites, Joe Biden, que já tem números suficientes para declarar vitória, só será oficialmente presidente em 14 de dezembro, quando terminam as apurações.

Outras curiosidades sobre o sistema eleitoral americano

  • O voto não é obrigatório
  • Eleitores podem mudar de ideia sobre quem votaram até 3 vezes antes do dia da eleição, mas apenas o último voto será válido
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