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Dimensão econômica da sustentabilidade: o processo de Gestão Empresarial e o repasse dessa responsabilidade aos trabalhadores

Ariani Avozani Oliveira¹

 

Frente ao atual cenário socioeconômico, as políticas de responsabilidade socioambiental e sustentabilidade adotas pelas empresas podem vir de encontro ao crescimento econômico e a maximização dos lucros, extremamente valorizadas no âmbito da gestão empresarial. Desta forma, algumas empresas podem mascarar essa pretensão referente a preocupação com o socioambiental e a sustentabilidade, transferindo ao trabalhador a adoção dessas práticas e pressionando-o excessivamente para que alcance resultados satisfatórios. 

Corroborando para discussão, a reforma trabalhista, que passou a vigorar em novembro de 2017, trouxe inovações quanto a diversas possibilidades de acordos individuais no contrato de trabalho, permitindo concessões através de simples acordo entre empregado e empregador.

Com o crescimento das relações de emprego, bem como pelo pensamento empresarial globalizado, existe um contexto político e econômico de maximização de lucros e acúmulo de capital, que instiga ao descumprimento dos princípios do direito do trabalho. De outro lado, as novas organizações empresariais buscam adequar-se às políticas socioambientais e sustentáveis, já que o novo cenário mundial anseia, diante das preocupações com o meio ambiente, por ações que corroborem para otimizar os efeitos de uma natureza comprometida pelas ações do homem, vinculadas ao modo de produção capitalista.

Neste sentido, chama-se atenção para efetiva utilização das políticas socioambientais e sustentáveis no âmbito empresarial, voltando-se para a preocupação com o meio ambiente e tendo como objetivo final proporcionar uma contribuição prática para o mundo e a sociedade em geral.

Por outro lado, sabe-se que as pressões relativas aos fatores econômicos podem resultar no desvirtuamento das possíveis medidas profícuas tomadas no contexto socioambiental e sustentável. Além disso, o trabalhador, como vítima de um sistema perverso e desumano, pode ser utilizado e explorado, restando alienado, em detrimento do alcance dos objetivos da empresa e ao final, cumprindo o papel de mera mercadoria, forçado a vender sua força de trabalho, servindo apenas como uma forma para acúmulo de capital e mais valia.

Desta forma, se faz necessário ampliar a discussão sobre a utilização das políticas socioambientais e sustentáveis, em todos os ramos sociais e, em particular, no âmbito empresarial, para que as atividades exercidas busquem ações verdadeiramente sustentáveis e comprometidas com a mudança do atual paradigma antropocêntrico. De tal sorte, não ocorrendo sobrecarga psicológica com metas socioambientais imposta ao trabalhador, o resultado possivelmente alcançará uma sustentabilidade capaz de orientar ações efetivas que permitam atingir a plenitude econômica, social, cultural, política e jurídica necessária à construção coletiva de uma sociedade emancipada e sustentável.

 

¹ Docente junto ao Curso de Direito da Faculdade Metodista de Santa Maria/RS – FAMES. Mestranda em Direito pelo Programa de Pós-Graduação - PPGD da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, na área de Concentração: Direitos Emergentes na Sociedade Global e Linha de Pesquisa: Direitos da Sociobiodiversidade e Sustentabilidade. Especialista em Direito e Processo do Trabalho e Direito Previdenciário, pela Universidade Estácio de Sá (2017). Especialista em Direito Processual Civil pela Universidade Luterana do Brasil (2009). Possui MBA em Gestão Estratégicas de Pessoas (Harvard Business - 2017). Membro do Grupo de Pesquisa Trabalho Assalariado e Capital da Universidade Federal de Santa Maria/RS. Advogada nas áreas de Direito e Processo do Trabalho, Direito Civil, Direito Processual Civil.

 

Artigo publicado em 30/08/2018